A ORAÇÃO DE UM PROFETA MENOR.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

 


Esta é a oração de um homem chamado como testemunha pe­rante as nações. Foi isto que ele disse ao Senhor no dia de sua ordenação. Depois de os presbíteros e ministros terem colocado as mãos sobre ele, retirou-se para encontrar seu Salvador num lugar se­creto e em silêncio, bem além do ponto em que seus bem intencio­nados irmãos poderiam tê-lo levado.

Foram estas as suas palavras: Ó Senhor, ouvi a tua voz e fiquei com medo. Tu me chamaste para uma tarefa terrível numa hora gra­ve e perigosa. Está prestes a sacudir todas as nações e a terra, assim como o céu, para que permaneçam as coisas que não podem ser aba­ladas. Ó Senhor, meu Senhor, Tu te aviltaste honrando-me como teu servo. Homem algum recebe esta honra salvo aquele que é chamado por Deus como Arão. Tu me ordenaste teu mensageiro para os duros de coração e difíceis de entendimento. Eles te rejeitaram, a ti, o Mestre, e não posso esperar que me recebam a mim, o servo.

Deus meu, não perderei tempo deplorando minha fraqueza nem minha incapacidade para a obra. A responsabilidade não é minha, mas tua, pois disseste: "Eu te conheci — te ordenei — te santifiquei", e também afirmaste: "Irás a todos a quem te enviar e dirás tudo aquilo que eu ordenar". Quem sou eu para argumenta- contigo ou duvidar de sua soberana escolha? A decisão não me cabe, ela é só tua. Assim seja, Senhor. A tua vontade seja feita e não a minha.

Bem sei, Deus dos profetas e dos apóstolos, que enquanto eu te der honra tu me honrarás. Ajuda-me, pois, a fazer este voto solene de honrar-te em toda a minha vida futura e meu trabalho, na felicidade ou na desgraça, na vida ou na morte, e manter esse voto enquanto viver.

Está na hora, ó Deus, de entrares em ação, pois o inimigo inva­diu as tuas pastagens e as ovelhas foram destroçadas e espalhadas. Os falsos pastores andam por toda parte, negando o perigo e rindo dos riscos que o teu rebanho corre. As ovelhas estão sendo engana­das por esses mercenários e os seguem com lealdade tocante enquanto o lobo se aproxima para matar e destruir. Suplico-te, ó Deus, dá-me olhos penetrantes para perceber a presença do inimigo; dá-me enten­dimento para observar e coragem para contar fielmente o que vejo, Torna minha voz tão idêntica à tua que até mesmo as ovelhas doen­tes a reconheçam e te sigam.

Senhor Jesus, aproximo-me de ti para receber preparo espiritual. Impõe sobre mim a tua mão. Unge-me com o óleo do profeta do Novo Testamento. Proíbe que me transforme num escriba religioso e perca assim meu chamado profético. Salva-me da maldição que paira sobre o clero moderno, a maldição da transigência, da imi­tação, do profissionalismo. Salva-me do erro de julgar uma igreja pelo seu tamanho, sua popularidade ou pelas somas que oferece anual­mente. Ajuda-me a lembrar que sou um profeta — não um promotor, nem um administrador religioso, mas um profeta. Não permita que jamais me torne escravo da multidão. Cura minha alma das ambições carnais e salva-me da atração da publicidade. Livra-me da escravidão às coisas. Não permita que desperdice meus dias com trivialidades. Põe teu terror sobre mim, ó Deus, e leva-me para o lugar de oração onde possa lutar com os principados e potestades e com os senhores das trevas deste mundo. Livra-me de comer em excesso e dormir tarde. Ensina-me a autodisciplina para que possa ser um bom soldado de Cristo.

Aceito trabalho árduo e pequenas recompensas nesta vida. Não peço conforto. Procurarei não fazer uso das pequenas manipulações que facilitam a vida. Se outros procurarem o caminho mais suave, tentarei seguir o mais estreito sem julgá-los com demasiada severi­dade. Esperarei oposição e irei aceitá-la quando chegar. Ou, como algumas vezes acontece, se eu vier a receber presentes de agradeci­mento dados por pessoas bondosas, fica comigo então e livra-me do mal que geralmente se segue. Ensina-me a usar o que quer que re­ceba de modo a não prejudicar minha alma nem diminuir meu poder espiritual. E se em tua providência permissiva, eu vier a receber honra através da tua igreja, não deixe que me esqueça nessa hora de que sou indigno da menor de tuas misericórdias, e que se alguém me conhecesse tão bem como eu me conheço, essas honras não se­riam concedidas ou seriam feitas a outros mais dignos de recebê-las. E agora, Senhor do céu e da terra, consagro o restante de meus dias a ti; sejam eles muitos ou poucos, conforme a tua vontade. Faze-me ficar diante dos grandes ou ministrar aos pobres e humildes; essa escolha não é minha e não iria influenciá-la mesmo que pudesse. Sou teu servo para fazer a tua vontade, e essa vontade é mais doce para mim do que posição, riqueza ou fama, e eu a prefiro acima de todas as coisas na terra ou no céu.

Embora escolhido por ti e honrado por um chamamento subli­me e santo, não permita que eu jamais esqueça que não passo de pó e cinzas, um homem com todas as falhas e paixões naturais que perseguem a raça humana. Oro a ti, portanto, meu Senhor e Reden­tor, salva-me de mim mesmo e de todos os males que possa fazer a mim mesmo enquanto tento ser uma bênção para outros. Enche-me com o teu poder pelo Espírito Santo, e na tua força irei e anuncia­rei a tua justiça. Espalharei a mensagem do amor que redime enquan­to tiver forças.
Então, Senhor, quando estiver velho e cansado, não mais poden­do continuar, prepara um lugar para mim lá no alto, e permite que eu possa ser contado com os teus santos na glória eterna. Amém. AMEM.

A.W.TOZER






TEXTO RETIRADO DO LIVRO "O MELHOR DE A.W.TOZER" 
 EDITORA MUNDO CRISTÃO.

SE PAULO ESTIVESSE PREGANDO HOJE.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011


Com estas palavras — ―Para que possa conhecê-lo — o Apóstolo Paulo respondeu aos queixosos reclamos da carne e correu em busca da perfeição. Todo lucro contou como perda pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, o Senhor; e, se o conhecê-lo melhor lhe significava sofrimento, e mesmo a morte, isto não impedia o Apóstolo de marchar para a frente. Para ele o ser semelhante a Cristo era algo sem preço. Suspirava por Deus como o cervo suspira pelos mananciais de águas, e para ele o mero raciocínio tinha pouco que ver, comparado à vida que sentia. 

Na verdade, boa série de conselhos e de ignóbeis escusas poderia ser apresentada para afrouxar-lhe o passo, disso temos ouvido bastante. ―Poupe sua saúde‖ — um amigo prudente lhe teria dito. E outro: ―Você corre o perigo de ficar maluco, ou sofrendo dos nervos". E um terceiro diria: "Você muito logo será apontado como extremista"; e um pacato professor de Bíblia, com mais teologia do que sede espiritual, apressa-se em dizer-lhe não há mais nada a ser pesquisado, ou buscado. E diz: "Você já foi aceito no amado, e abençoado com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo. Que mais quer você? Tudo que você tem a fazer é crer, e esperar o dia final da vitória dEle". 

Então, o Apóstolo Paulo precisaria ser exortado, se vivesse conosco em nossos dias, pois assim substancialmente, tenho visto se amortecerem e se atenuarem as aspirações dos santos, quando eles se movimentam, para viver com Deus num crescente grau de intimidade. Mas, conhecendo a Paulo como o encontramos nas páginas do Novo Testamento, é seguro presumir que ele repudiaria tão baixo conselho de conveniência ou utilitarismo, e avançaria para o alvo — o prêmio da suprema vocação de Deus em Cristo Jesus. E bem faremos em segui-lo. 

Quando o Apóstolo exclama: "Para que possa conhecê-lo", emprega o verbo conhecer não no sentido de intelecto e sim no seu sentido de experiência. Precisamos compreender bem que ele quis referir-se não à mente e sim ao coração. O conhecimento teológico é conhecimento acerca de Deus. Conquanto indispensável, não é suficiente. 

Tem ele para com a necessidade espiritual do homem a mesma relação que um poço tem para com a necessidade material do seu físico. Não é propriamente por aquele poço cavado na rocha que suspira o viajor suarento e coberto de pó, e sim pela água límpida e fresca que dele jorra. Assim, o que sacia a antiga sede do coração do homem não é o conhecimento intelectual de Deus, e sim a Pessoa e a Presença real do próprio Deus. E isso nos vem a nós pela doutrina cristã, mas é muito mais que mera doutrina. O objetivo da verdade cristã é levar-nos a Deus e nunca substituir a Deus.
A.W.TOZER




Texto extraído do livro: O CAMINHO DO PODER ESPIRITUAL -EDITORA MUNDO CRISTÃO .